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18 de out. de 2007

Dúvidas

Até que ponto podemos nos entristecer com uma pequena decepção?
Até que ponto pequenas decepções seguidas podem afetar uma relação?
É mesmo possível não esperarmos nada de alguém próximo? É esse o ideal?
Laisse faire, e é lucro o que vier!
Quando não hesitamos em fazer algo que pode aborrecer a outra parte, é por que confiamos na solidez da relação, ou por que já não nos importamos com o (impacto no) outro?

Onde fica, afinal, o botão do "foda-se"?

22 de mar. de 2007

Deus-abafo

Qualquer pessoa que empunhar a bíblia - ou qualquer outro livro sagrado - para embasar seus argumentos, receberá de mim a mesma consideração e apreço que dou a jumentos. Minto: aos jumentos tenho, com certeza, mais admiração e compreensão.

20 de dez. de 2006

Das Lacunas

Pois faz tempo que quero escrever algo, mas não me vem a inspiração. Assuntos bons surgem, idéias interessantes também, mas não consigo estruturar um texto. É como se as palavras houvessem fugido para o mato e, escondidas atrás das árvores, ficam à espreita, caçoando da minha procura infrutífera.
Não apenas me faltam palavras. Não sei exatamente o que gostaria de dizer, que tipo de emoção passar. É um infinito condensado de dúvidas e indecisão. Precisamente isso! Então, penso e não chego a texto algum. Ah, bons tempos aqueles em que conseguia escrever poemas piegas!! Hoje não passo do pensamento vacilante, do ensaio hesitante, da tentativa cambaleante e... de concreto, nada. Minto! De concreto, apenas as paredes desnudas do novo habitáculo que irá me abrigar, e a marquise que caiu quase em cima de mim.
Parece que minha capacidade de produção textual foi-se com a matrícula trancada da universidade. Mas pode ser também outro o motivo da inspiração fugidia: o vazio de emoções que se encontra em mim. Mesmo sem ter culpa, fui jogado nesse limbo confuso de sentimentos, uma profusão de afetos inúteis e raivas inócuas que, de tão fortes e intensos, formam uma absoluta e medíocre pasmaceira. Estou livre e perdido ao mesmo tempo; sem dor nem vontade.

30 de out. de 2006

Tantos planos

Nada do que foi será,
de novo, do jeito que já foi um dia.
Tudo passa,
tudo sempre passará.
Eu tinha tantos planos na minha mente... Planos de como provocar teu sorriso, de te fazer feliz. Sonhava acordado pela manhã, depois do sonho adormecido, pensando no teu rosto, lembrando da tua voz. Era um sonho bom, que vinha naturalmente e eu apenas lhe dava espaço e tempo. Talvez fosse uma boa maneira de despertar.
Mas logo vinha a condenação. Aquele "NÃO" gigantesco, vermelho e estrondoso que pisoteava minha cabeça. "NÃO é possível". "NÃO acontecerá". "NÃO tenho chance". E então, o sonho se tornava castigo; a alegria, fraqueza; e os planos, tempo perdido de vida. Assim tem sido há muito tempo, e agora é um pouco menos do que já fora.
Já não te escondo mais nada; contei-te o que já sabias. Pelas pistas que deixei - algumas intencionais, outras não - e pelas tuas próprias observações, tua desconfiança já era uma certeza. Não preciso mais fingir que não sinto; não precisas mais esconder que sabes. A última lacuna na nossa amizade foi preenchida com transparência sincera e cristalina.
Agora a responsabilidade volta para mim. E é muito grande. A culpa não é tua, talvez minha, mas ainda choro pelo passado que não tivemos, e pelo futuro que não teremos. Choro pelos planos feitos e perdidos, pela energia jogada fora, pela chance que não existiu. Por aquilo que não veio e pelo resto que já passou. Parece que já é tarde, até para chorar.

22 de jul. de 2006

Cansaço

Quando meu corpo está cansado, procuro repouso para recuperar as forças. Normalmente uma boa noite de sono é suficientemente revigorante. Mas tenho sentido um outro tipo de cansaço, um que as noites de sono não resolvem. Talvez eu esteja com a alma cansada, e o sono torna-se uma fuga. Mas é uma fuga em vão, porque a cada manhã está tudo ali, de novo, para me cansar novamente.
Assim, me cansa uma família desestruturada, de pessoas teimosas, possessivas, chantagistas e que convivem numa situação instável e insustentável já há muitos anos. Elas formam uma espantosa e intricada rede de intrigas e interesses, sediada em um terreno que já chego a amaldiçoar, embora tenha crescido entre suas árvores. Para sustentar tal desiquilíbrio usam das forças dos familiares que, por compaixão ou por medo de sentirem remorso, ainda mantêm vínculos. De minha parte, cada vez menos afetivos.
Também me cansa ter um amor que, por impossível, tornou-se doentio e patético. Tentei dele me desvecilhar mas não obtive êxito. Queima ainda dentro de mim como uma úlcera debochada, e me consome com tristeza momentos que deveriam ser apenas de alegria. E também por ele joguei-me novamente à solidão, a desimportância, ao esquecimento. Esqueci-me de mim mesmo, e vejo meu corpo se alastrar a cada dia do meu fatigante sedentarismo; e isso também me cansa.
Estou cansado da inércia que deixei me possuir, da estagnação infrutífera que se tornou minha vida. Cansado de ver o tempo passar mas as coisas não mudarem. Cansado de correr em círculos, ainda que às vezes pareçam elipses. Estou cansado da minha ironia, das minhas palavras virulentas que ferem quem amo. Cansado dos meus queixumes, das minhas ladainhas, que tampouco para a riqueza literária se prestam. Estou cansado de mim.

21 de jul. de 2006

Silogismo

Premissas:
  1. A vontade de se presentear uma pessoa é diretamente proporcional ao amor que se tem por ela.
  2. A grandeza do abraço recebido é inversamente proporcional ao quadrado do valor do presente dado.
Corolário:
  • Quanto mais se gosta de um amigo, mais sem graça é o abraço recebido!

17 de jul. de 2006

Festas

Se as eleições são a festa da democracia, então as guerras são a festa da civilização.

7 de jul. de 2006

Sufixos

Acho que um corredor de ônibus deveria ser um corredouro, a exemplo de bebedouro.
E acho que algo duradouro deveria ser durador, a exemplo de desolador.
Assim, seria mais lógico. E eu não me irritaria com essas coisas!

29 de mai. de 2006

Utilidade Pública

A Globo prestou um dos melhores serviços de utilidade pública com a série "Operação Bola de Cristal", exibida no Fantástico. Conseguiu explicitar como operam esses videntes e paranormais que infestam o mundo afora.
Agora, poderia fazer uma nova série, talvez chamada "Operação Bíblia Sagrada", para acabar com outra enganação, muito maior...

28 de mai. de 2006

Mal-entendido

Uma das piores coisas que pode acontecer na realização dos processos de comunicação é o mal-entendido. Ele ocorre quando um dos interlocutores interpreta erroneamente o que o outro quis dizer, e por vezes, ocorre recíproca e simultaneamente.
Auxiliado pela Lei de Murphy, o mal-entendido normalmente acontece quando não deve acontecer, causando grandes embaraços e prejuízos. Dificilmente acontece um mal-entendido sobre uma bobagem. Mas sobre coisas importantes, daí sim, tudo parece conspirar para que algo saia errado, para que alguém não se faça entender.
O que mais assusta no mal-entendido é que ele pode quebrar paradigmas, invalidar regras, abalar certezas. Ele é subversivo e cruel. Semeia a discórdia entre nós. Devemos eliminá-lo por completo das nossas vidas. Abaixo o mal-entendido!

26 de mai. de 2006

Anagramas

Um anagrama é uma palavra ou frase formada pela transposição das letras de outra palavra ou frase. É um caso específico de criptograma, muito semelhante ao produzido por cifra de transposição, embora normalmente não obedeça a um algoritmo de transformação, o que pode exigir muita disposição e imaginação do criptoanalista.
Um exemplo de anagrama: a partir de "sapo" temos "sopa" e de "tapa" temos "pata". Anagramas podem manter ou não a categoria gramatical do texto original, e podem ser feitos em língua diversa da língua do texto original. Isso obviamente exigia muita imaginação e conhecimento, tanto do criptógrafo quanto dos possíveis decifradores.
Abaixo estão dois bons exemplos: peguei nomes de dois amigos meus e obtive frases em inglês:
A bastard lushes me.
Enable dick!

Troca de equipamentos

Faz tempo que não vejo uma emissora de televisão anunciar "Interrompemos brevemente nossas transmissões para troca de equipamentos". Pois eu queria ter essa capacidade, de sair do ar para fazer minha própria manutenção. Não que eu quisesse que as pessoas deixassem de me assistir, nem que trocassem de canal. Apenas um tempo para eu fazer os ajustes necessários. Talvez até mudar a programação, quem sabe. Mas eu não tenho essa habilidade, então fico a exibir as mesmas imagens embaçadas, programas desgastados, sem o brilho que a audiência merece e sem a nitidez que gostaria de passar. Além disso, acho que nem sei fazer a manutenção. Mas enfim, agradecemos pela audiência.

24 de mai. de 2006

Vazio

É estranha a sensação que substitui um amor sufocado e morto. É algo como visitar uma casa antiga, onde moramos durante muito tempo e fomos felizes; mas a casa, abandonada e envelhecida, mostra quase nada do que um dia já foi. A nostalgia, as lembranças e a comoção ficam mesmo por conta do visitante.
Mais intrigante ainda é quando o amor em tela foi natimorto. Nasceu forte, indomável, capaz de qualquer coisa. Menos de ser realizado, de existir de fato. Nasceu destinado a morrer, e assim, existiu de fato em apenas uma mente, machucou apenas um coração, apertou apenas um peito. De fato, como nunca fora concretizado, nem sequer nasceu. Foi apenas uma paixão, uma sucessão de pensamentos dirigidos, a energia canalizada, o choro derramado.
Agora fica essa sensação incômoda, de algo que fez bem, mas que não existiu; que teria sido bom, mas que era impossível. É um vazio triste, porque ninguém mais mora na antiga casa que existe somente na minha lembrança.